terça-feira, 5 de abril de 2011

Sempre

me considerei uma pessoa razoável e pacata. Só andei à porrada uma única vez, nos meus já longínquos anos de liceu. Há 1200 anos, portanto. Uma certa fulana estava a pedir que eu argumentasse, solidificasse o meu ponto de vista e a chamasse à razão com um sobrelotado dossier A4 de argolas largas, e foi isso que fiz. Ter-lhe dado um valente abanão e espetado um calduço na tola soube-me pela vida, e ainda hoje, 1200 anos depois, recordo com melancolia e saudade aquele momento tão especial. Ainda lhe chamei "sua vaca mentirosa!", porque pancada e silêncio não combinam, além de que ela  era uma vaca e uma mentirosa. A razão fulcral do atrito tomou com o tempo contornos difusos, mas aquele momento em que a fulana me olhou nos olhos com um ar completamente aterrorizado e indefeso ainda hoje me consola nos momentos menos felizes.
Com a idade estes nossos instintos animalescos são abafados pelo socialmente aceitável/recomendável, e a menos que pertençamos a uma claque de futebol, andar por aí à pancada é coisa muito mal vista.
Resta-nos usar a diplomacia (muita, toda) e tentar fazer o menor número de inimigos possível durante este nosso percurso, pois se há coisa que a vida me ensinou, é que podemos ter um desses inimigos a fazer-nos uma entrevista de emprego quando menos esperamos. Poissss.

24 comentários:

LM disse...

Na infancia, os irmãos servem para isso mesmo. Já na idade adulta, apesar do tão em voga "Eu sou igual a mim mesmo. Eu não evito o conflito.", dos Big Brothers deste país, eu tambem prefiro ir todos os domingos ao futebol e gritar "Ó boiiiiiiiiiii" a um gajo grande e peludo que ande para ali a correr. Sinto-me destemida e desopilo para a semana inteira.;)

Petra disse...

Não digas que a Vaca mentirosa te entrevistou milher?
bjo.

Pedro Coimbra disse...

anouc,
Repito a pergunta da Petra- foi entrevistada pela vaca mentirosa?
Se foi, e não conseguir bons resultados na entrevista, esqueça as boas maneiras e dê-lhe outro calduço!!

anouc disse...

Petra e Pedro, não, não foi. Foi por outra vaca. Não andei à porrada com essa... foram mais miminhos verbais. ^^

Mas o moral da história é mesmo fazer o mínimo de inimigos possível. :|

Helena disse...

o problema é k as lições de vida normalmente vêm tarde demais, muahahah.
Mas também deixa lá, ninguém quer uma vaca mentirosa como patroa ou chefe.

Tulipa disse...

Pois, concordo. Mas digo-te já que a vida só com amiguinhos não tem piada nenhuma e causa úlceras.:)

Stiletto disse...

ah ah ah delicioso. Aconteceu-me uma vez isso mas foi com um chefe. e tive de trabalhar com ele mais de um ano. Não foi fácil.
Provavelmente estás mesmo é lixada, quanto a esse emprego.

Marta disse...

concordo contigo, nunca se sabe quando alguma vaca nossa "inimiga" fica connosco nas maos.
beijinhos e tens um selinho no meu blog :)

Catarina Reis disse...

Pois nunca se sabe quem estará amanhã do lado de lá. Bjs

PFIA disse...

Se tivesses ido além dos miminhos verbais, talvez ela agora (movida pelo terror de tempos passados) te desse o emprego...

E se ela apareceu agora na tua vida para completares o que não foi feito?... ;)

PS: Claro que sou contra a violência física! (...)

S* disse...

Nunca bati em ninguém mas todos os dias me apetece espetar um soco na colega de trabalho.

Anónimo disse...

C'um caraças...!

Uma Rapariga disse...

Ups! :D

Anónimo disse...

é a chamada lei do retorno, filha. é bom, a gente cresce...

Soraya Azevinho disse...

eu sei que isto era para ser lido com uma atitude séria, mas pronto, a anouc lá me conseguiu outra vez descascar a rir.

morski pas disse...

normalmente é assim. parece que as vacas tem uma resistencia "extra-ordinaria" para estas coisas. Boa sorte. Se for chamada....leve-lhe um raminho de erva. Vai adorar ;) Se nao for....leve-lho na mesma!

pinguim disse...

Tens toda a razão: hoje em dia é muito provável encontrar "vacas mentirosas" e outros afins a decidir sobre o nosso futuro; infelizmente!

Cate disse...

ahah, deve ter sido bonito de ver.

Anónimo disse...

LM,
Lembraste-me desta frase que tanto me irritava:
"Eu sou igual a mim mesmo. Eu não evito o conflito." e aquela: "eu digo tudo na cara às pessoas..."
Mas porque é que aquela espécie que concorre aos reality shows usa sempre estas frases? É mentira mas como o que interessa neste país é parecer...

LM disse...

Anonimo, o pior é que esta filosofia do "Não evito o conflito/Digo tudo na cara/Eu sou sempre igual a mim mesmo" alastrou-se por este país fora. Tomara que fossem só os dos espécimes dos reality shows, tomara...

Blogadinha disse...

Há vacas sagradas - melhor não mexer!

Anónimo disse...

"Não evito o conflito/Digo tudo na cara/Eu sou sempre igual a mim mesmo"

Quem diz isto convence-se e que rconvencer que é muito bom quando na realidade são uns fracos que usam as palavras em vez da acção na vida.

Brown Eyes disse...

Já me aconteceu algo parecido quando me fui candidatar a dar formação no Centro de Emprego. Quem me havia de receber? Um puto a quem dei uma valente tareia. Pois, pois. Mas que tareia. O puto andava sempre de longe a chamar-me preta(era assim que chamavam as pessoas que tinham vindo de África na altura, vê o amor que nos tinham e o quanto eram racistas e invejosos). Avisei que lhe ia ao focinho, voltei a avisar e avisei novamente mas o puto queria guerra. Claro que não estive com meias medidas e zás...Estavam uns velhos a ver a cena e diziam:
-Ai menina que mata o garoto!
Bem, a partir desse dia o puto passou a fugir de mim.
Escusado será dizer que não fui escolhida para dar formação no centro de emprego mas, fiquei de barriga cheia com a tareia que lhe dei. ahahahah

Elsa disse...

Ora lá está, o Politicamente Correcto é cá uma Bosta, mas faz Muita Falta! Como é que Correu a Entrevista?