Eu só queria comprar um pacote de açúcar mascavado. O plano era passar a tarde de feriado na cozinha a fazer caramellinis. Gosto de fazer biscoitos e gosto de caramellinis. 1+1=2. Deviam ser umas 2h da tarde quando lá entrei. Notei um movimento anormal, visto já lá ter estado na véspera de Natal e a afluência não ser nem metade. Havia gente com carrinhos atolados até ao cimo, caixas e sacos no chão cheios de compras e mais compras. Na minha lúcida cabecinha só poderia haver explicação para tamanho espectáculo... tinha sido anunciado um holocausto nuclear e eu, corno como sempre, tinha sido a última a saber, e tudo o que havia na minha dispensa era uma embalagem de ketchup e quatro pacotes de leite. Vi uma funcionária a repor ervilhas em lata num prateleira, "Ouça lá, mas o que é que se passa aqui hoje?!?", perguntei, enquanto apontava esclarecedoramente para o volume de compras anormais que toda a gente levava. "Ah, é a promoção dos 50%", "Promoção dos quê??". Uma velhota virou-se para mim, e com uma certeza óbvia de quem me estava a dar uma excelente novidade, informa-me com um sorriso rasgado e uma voz cheia de pompa e circunstância, "Oh menina, hoje tudo tem 50% de desconto! A partir dos 100€, está a ver? Se levar 100€, só paga 50€! Entende?" "Mas quê?? TUDO?!?". "Sim menina, tudo!".
Fiz umas aritméticas rápidas e como é óbvio, aproveitei. Saí de lá passada uma hora com as compras do mês feitas (e parte do mês que vem). Sorte a minha que vivo na província, muito longe das massas das grandes cidades, onde as pessoas são menos e mais comedidas. Caso contrário, teria vindo embora.
Não sei qual é o objectivo da Jerónimo Martins, não sei qual é a estratégia comercial, não sei se ganharam, se não ganharam ou se perderam. Mas o fenómeno abriu todos os noticiários da noite. Se queriam publicidade conseguiram-na, mas nem toda com bom tom.
O que eu sei, é que se nos abstrairmos de tudo o que são os bastidores destas evil corperations, esta promoção criou um equilíbrio financeiro a muitas famílias deste país. Mesmo que tenha sido só este mês. Não importa. Se as pessoas levaram coisas de que não precisavam? Não sei. O que sei é que os produtos de marca branca foram os primeiros a desaparecer, o que demonstra que mesmo com 50% de desconto existe a consciência e a necessidade de comprar o mais barato possível.
nota: se no dia do trabalhador os empregados do PD trabalharam como cães? Trabalharam. Mas também eu passei a manhã a trabalhar. So what? É chato? É. E...?










