E porque é que ninguém tem a coragem de as mandar fora? Porque é que o facto de a carga de tinta só ir a meio nos impede de as atirar para o lixo, mesmo que nunca tenham escrito nada de jeito desde o primeiro dia? Às vezes já vêm a escrever aos solavancos quando são compradas. E depois temos de andar à procura de uma folha de papel onde possamos fazer círculos frenéticos no canto superior direito até a caneta dar sinal de vida, e com um tom misto de alivio e satisfação dizemos, "pronto, já está a escrever". Mas é só temporário, não é? À segunda frase já parou de escrever outra vez. Molha-se então o bico da caneta com a ponta da língua numa tentativa desesperada de ressuscitação. Mas não dá em nada, e pronto, atira-se outra vez para a gaveta (afinal a carga ainda só vai a meio) e vai-se procurar outra. Existe até a típica frase: "Há por aí alguma caneta que escreva?". Frase essa que pressupõe à priori que a caneta tem 80% de hipóteses de não escrever. É bem capaz de existir uma conspiração das fábricas de canetas. Fazem aquela porra secar a meio. Bestas.
E depois há a canetas fixes. As canetas giras. As canetas de marca. Essas não se mandam fora nunca porque APENAS precisam de uma carga nova. "Ah, essa caneta é mesmo boa.. só precisa de uma carga nova", dizemos. Mas nunca ninguém compra cargas novas pois não? E as canetas para lá ficam nas gavetas, não é? Poizé.
Chateia-me isto das canetas. Mesmo.
nota: já para não falar das canetas brancas simples que têm uma tampa verde ou vermelha. E uma pessoa vai e "porreiro, esta escreve verde", e vai-se a ver a tampa verde ou vermelha não passa de decoração, porque a caneta simplesmente escreve azul. "Oh fºda-se! Isto escreve azul!". Isto das canetas chateia pá. O tempo que se perde... Chateia. Bah







